"Salários de marajá para concursados do BNB são uma afronta a sociedade", fala Deputado Emerson Lion.

sábado 15 agosto 85177 ações

Banco do Nordeste se transformou no paraíso dos funcionários públicos. A Casa abriga os servidores mais bem pagos do País. É de causar revolta no mais pacato cidadão, já que os supersalários são bancados com os impostos arrecadados do contribuinte. Um simples engraxate funcionário do BNB recebe R$ 10.400 por mês, enquanto que um ascensorista até R$ 11 mil e um manobrista R$ 15 mil mensalmente. O chefe dos garagistas chega a faturar num mês R$ 23.500. Muito mais do que os vários gerentes, cujos vencimentos somam R$ 15 mil cada um. Um absurdo completo.

Um total de 140 servidores do BNB tem salários maiores até do que o do governador, que recebe R$ 24 mil, o que representa uma distorção.

Portanto, acima do teto constitucional, como é o caso de gerentes de conta senior, que ganham R$ 60 mil por mês.

Mas eles não têm a mínima vergonha disso. São marajás com o aval da Justiça, pois recorreram ao Judiciário para manter os salários estratosféricos.

Isso faz com que o BNB gaste anualmente R$ 407 milhões com os 2 mil funcionários concursados.

O pior de tudo é que os 114 mil terceirizados ganham um piso salarial de R$ 1.550. Não é por acaso que o atendimento no Banco é um das piores do mundo.

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Os supersalários no BNB o começaram a ganhar corpo a partir de 1988, com a promulgação da nova Constituição.

É que todos os funcionários públicos contratados até então pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) passaram a ter estabilidade no emprego.

E, assim, dezenas de funcionários do banco, que exerciam funções de engraxates, ascensoristas, garagistas, barbeiros, copeiros, encanadores, chaveiros e operadores de máquinas copiadoras, por exemplo, tornaram-se estáveis no cargo, com os salários que recebiam, mais os benefícios nos cargos por tempo de serviço.

Dessa forma, dezenas de funcionários recebem salários bem acima do mercado. Um escândalo. Um encanador recebe R$ 11 mil. Um operador de copiadora R$ 9.800. Um chaveiro R$ 10.900. Os 11 ascensoristas recebem entre R$ 8.700 e R$ 11 mil, embora todos os elevadores do BNB sejam eletrônicos. Os 24 manobristas de carros no estacionamento recebem R$ 15.845. Um lavador de carros R$ 11.295, apesar de ninguém mais lavar carros no estacionamento da Câmara. O chefe dos garagistas ganha R$ 23.500. Mas há sete copeiros que recebem de R$ 9 mil a R$ 13 mil mensais.

A direção do banco diz que não pode cortar esses valores, pois a legislação não permite que os salários sejam rebaixados.

A reportagem da ISTOÉ esteve no BNB, mas não conseguiu encontrar esses marajás. O único funcionário que ainda engraxa sapatos, daria expediente no primeiro subsolo, mas ele não foi encontrado lá, embora as pessoas do local garantam que ele aparece de vez em quando.

Quando a reportagem foi à garagem para falar com os garagistas, os jornalistas foram retirados do local pela segurança. A assessoria de imprensa disse que não poderia localizar os funcionários que ganham supersalários. Eles não querem se expor ou dar entrevistas. Vivem às sombras do gigantesco banco falido.


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